Em O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, existe um momento em que a longa e perigosa jornada de Frodo encontra uma pausa. Depois de atravessar ameaças e chegar ferido a Valfenda, ele encontra um lugar de proteção, cuidado e descanso. Ali, por algum tempo, o perigo parece distante. Há pessoas ao redor, segurança e oportunidade para recuperar as forças. Mas Valfenda não era o destino final. A missão ainda precisava continuar.
Guardadas as diferenças entre uma obra de ficção e o relato bíblico, essa imagem nos ajuda a olhar para Betânia de uma maneira especial.
Betânia ficava próxima de Jerusalém e era o lugar onde viviam Marta, Maria e Lázaro, pessoas com quem Jesus mantinha uma relação de amizade. Em diferentes momentos dos Evangelhos, encontramos Jesus naquela pequena vila, entrando em casas, participando de refeições e convivendo com pessoas que o recebiam. Durante dias particularmente intensos em Jerusalém, Betânia aparece como um lugar para onde ele retornava.
Mateus registra que, depois de passar o dia em Jerusalém, Jesus deixou a cidade e foi para Betânia, onde passou a noite. No dia seguinte, ele voltaria. A pausa não significava abandono da missão. Jerusalém continuava diante dele, assim como tudo o que aconteceria nos dias seguintes.
É justamente isso que torna Betânia tão significativa.
Jesus não estava fugindo do propósito do Pai quando se retirava para aquele lugar. O descanso fazia parte do caminho. Havia momentos de ensinar multidões, confrontar o erro e caminhar em direção ao cumprimento de sua missão, mas também existiam momentos de sentar-se à mesa, estar entre amigos e passar a noite longe da agitação da cidade.
Nós, porém, muitas vezes confundimos perseverança com viver permanentemente no limite. Pensamos que parar significa fraqueza e que descansar significa perder tempo. Continuamos carregando responsabilidades enquanto o coração está exausto, acreditando que ser fiel significa nunca diminuir o ritmo.
Betânia nos mostra outra coisa.
Existem pausas que não nos afastam do propósito de Deus. Existem pausas que nos ajudam a continuar nele.
Assim como Valfenda não existia para fazer Frodo esquecer sua jornada, mas representava um lugar de cuidado antes que ela continuasse, Betânia não retirava Jesus de sua missão. Depois daquela noite, ele novamente se levantaria e caminharia para Jerusalém.
Talvez também existam “Betânias” que Deus coloca ao longo da nossa caminhada.
Pode ser um momento de oração depois de um dia difícil. Pode ser o silêncio necessário para voltar a ouvir a Palavra com atenção. Pode ser uma conversa com irmãos na fé que nos lembram daquilo que estávamos esquecendo. Pode ser simplesmente reconhecer que nosso corpo e nossa mente possuem limites e que não fomos criados para viver continuamente esgotados.
Betânia também nos ensina que descanso não significa ausência de problemas. Aquela mesma vila conheceu lágrimas quando Lázaro morreu. Marta e Maria experimentaram luto ali. Mais tarde, porém, aquele lugar também testemunhou Jesus chamando Lázaro para fora do túmulo. Betânia foi cenário de amizade, dor, consolo, adoração e vida.
Por isso, nosso lugar de descanso verdadeiro não está na garantia de que nada difícil acontecerá. Está na presença daquele que permanece conosco quando as circunstâncias mudam.
O perigo de transformar qualquer “Betânia” em destino final é começar a usar o descanso como esconderijo. Deus nos restaura, mas também nos chama novamente para caminhar. Há momentos de permanecer e momentos de levantar. Há momentos de sentar-se aos pés de Jesus, como Maria, e há momentos em que precisamos voltar à estrada para cumprir aquilo que ele colocou diante de nós.
Talvez você esteja atravessando uma fase em que gostaria apenas de parar definitivamente. Talvez esteja cansado de responsabilidades, conflitos ou expectativas que parecem nunca terminar. Antes de concluir que não consegue mais continuar, talvez você precise reconhecer a Betânia que Deus colocou perto de você.
Não para desistir.
Não para abandonar aquilo que ele lhe confiou.
Mas para recuperar as forças na presença dele.
A casa acolhedora de Betânia não cancelou o caminho que Jesus ainda percorreria. O descanso daquela noite não mudou sua missão. Ele descansou e depois continuou.
Existem momentos em que a fé nos chama a avançar. Em outros, ela nos ensina a permanecer por algum tempo junto daquele que restaura a nossa alma.
Porque descansar em Deus não é abandonar o caminho. Às vezes, é exatamente o que precisamos para conseguir percorrê-lo.
FRASE DO DIA
Há descansos que não nos afastam do propósito de Deus; eles nos fortalecem para continuar nele.
E você, sente que hoje precisa de uma “Betânia”, um momento para recuperar as forças na presença de Deus? Conte nos comentários ou simplesmente escreva: “Senhor, renova minhas forças para continuar.”
Que Jesus fortaleça sua fé e ilumine sua caminhada.
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