Quem eram os fariseus na Bíblia e por que se opuseram a Jesus?
Por que Jesus confrontou tantas vezes um grupo que parecia tão comprometido com a Lei de Deus? Muitos leitores sentem esse estranhamento ao estudar os fariseus na Bíblia, afinal, à primeira vista, esses homens faziam quase tudo certo segundo o padrão religioso da época. Ainda assim, algo importante escapava deles, algo que o próprio Cristo apontou diretamente e que continua servindo de alerta para a igreja de hoje. Vale acompanhar com atenção o que a Escritura registra sobre eles.
Sumário
Quem eram os fariseus na Bíblia e qual era sua origem?

Os fariseus formavam um dos grupos religiosos mais influentes entre os judeus no período do Novo Testamento. O nome carrega a ideia de “separados”, indicando uma postura de afastamento daquilo que consideravam impuro ou contrário à Lei. A Escritura os apresenta em atuação constante ao lado de escribas, sacerdotes e saduceus, ocupando sinagogas, ensinando o povo e debatendo questões religiosas diante do público. Mateus, Marcos, Lucas e João registram dezenas de encontros entre esse grupo e Jesus, o que confirma sua presença forte na vida cotidiana de Israel naquele tempo.
Diferente dos saduceus, que tinham influência principalmente no templo e na aristocracia sacerdotal, os fariseus circulavam entre o povo e conduziam boa parte da vida religiosa nas sinagogas. Paulo, antes da conversão, também pertencia a esse grupo, conforme ele mesmo declara em Fp 3:5 e At 23:6. Essa presença ampla ajuda a entender por que, nos Evangelhos, eles aparecem tanto em aldeias pequenas quanto em grandes cidades, questionando Jesus sobre o sábado, o jejum, a pureza ritual e o modo correto de cumprir os mandamentos.
O que os fariseus acreditavam e como praticavam sua fé?

A fé farisaica se sustentava em alguns pontos doutrinários claros, e parte deles coincidia com o que a própria Escritura ensina. Eles criam na ressurreição dos mortos, na existência de anjos e espíritos e no juízo final, conforme aparece em At 23:8. Esse detalhe é importante porque, em determinado momento, Paulo usa justamente essa convicção para dividir fariseus e saduceus diante do Sinédrio, o que mostra o peso doutrinário dessas diferenças entre os dois grupos.
Na prática religiosa, os fariseus eram conhecidos pelo cuidado rigoroso com o sábado, com o dízimo e com os rituais de purificação. Jejuavam duas vezes por semana, dizimavam até das menores ervas e oravam em momentos fixos do dia, muitas vezes em locais públicos. Jesus menciona essas práticas em Mt 6:5, Mt 23:23 e Lc 18:12, não para condenar o ato em si, mas para apontar o coração por trás dele, já que a observância externa havia se tornado, em muitos casos, o centro da religião, enquanto a misericórdia, a justiça e a fé ficavam em segundo plano.
Como os fariseus enxergavam a Lei de Moisés e a tradição dos anciãos?
Para os fariseus, a Lei de Moisés era o fundamento inegociável da vida religiosa, e isso, em si, não representava problema algum. A dificuldade aparecia quando, junto da Lei escrita, eles acrescentavam uma longa cadeia de interpretações e costumes herdados, chamada de “tradição dos anciãos”. Essa tradição ocupava lugar cada vez maior no ensino do grupo e, com o tempo, acabou sendo tratada, na prática, com autoridade equivalente à do próprio texto bíblico. Mc 7:3-5 descreve esse cenário ao falar do costume de lavar as mãos segundo a tradição, e não por uma exigência direta da Lei.
Esse é exatamente o ponto em que Jesus se posicionou de forma firme. Em Mc 7:8-13, Ele acusa os fariseus de anular a palavra de Deus por causa da tradição que eles mesmos transmitiam, citando o exemplo do corbã, recurso usado para evitar o cuidado com os pais. A crítica de Cristo não atinge a Lei de Moisés, e sim o acréscimo humano que, na leitura farisaica, havia sido colocado acima do que Deus realmente ordenou. Essa distinção entre Escritura e tradição humana continua relevante para qualquer leitor da Bíblia.
Por que Jesus confrontou os fariseus com tanta firmeza?

Os confrontos de Jesus com os fariseus não surgiram de um desentendimento pontual, e sim de uma oposição profunda entre dois modos de entender a fé diante de Deus. Enquanto os fariseus colocavam o valor sobre a obediência externa e sobre o mérito da observância ritual, Jesus chamava o povo ao arrependimento sincero, à fé e a um coração verdadeiramente submisso ao Pai. Em Mt 23, o capítulo mais duro dos Evangelhos sobre esse grupo, Cristo pronuncia uma sequência de “ais” contra eles, denunciando a hipocrisia, a aparência de justiça e o cuidado apenas com o que estava visível por fora.
Outro ponto de divergência estava na postura de Jesus diante das leis cerimoniais. Ele curava no sábado, comia com publicanos e pecadores e acolhia pessoas que, segundo a lógica farisaica, deveriam ser mantidas à distância. Lc 15:1-2 resume bem essa tensão: os fariseus murmuravam porque Jesus recebia pecadores. Para Cristo, o ministério apontava para a salvação dos perdidos; para eles, aquele tipo de proximidade contaminava a pureza religiosa. Essa diferença de visão marcou praticamente todos os encontros entre Jesus e o grupo nos quatro Evangelhos.
Qual foi o papel dos fariseus na condenação de Jesus?
A Escritura mostra que os fariseus participaram ativamente do plano que levou Jesus à cruz, embora não tenham agido sozinhos. Eles se uniram aos principais sacerdotes e aos saduceus, grupos com quem normalmente divergiam, justamente para se opor ao ministério de Cristo e ao crescimento do número de seus seguidores. Mt 16:1 e Jo 11:47-53 deixam clara essa aliança incomum, formada diante do que entenderam como uma ameaça religiosa, política e social. O receio de perder influência sobre o povo pesou mais do que as diferenças doutrinárias entre eles.
Vale, no entanto, reconhecer que a Bíblia não trata todos os fariseus como se fossem um bloco homogêneo. Nicodemos procurou Jesus à noite para aprender mais sobre o reino de Deus, conforme Jo 3:1-2, e mais tarde colaborou no sepultamento de Cristo, em Jo 19:39. Paulo, antes de ser alcançado no caminho de Damasco, era fariseu convicto e depois se tornou apóstolo dos gentios. Esses casos mostram que houve, dentro do grupo, pessoas tocadas pela verdade de Jesus, o que impede qualquer leitura simplista sobre o conjunto.

Que lições os fariseus na Bíblia ainda trazem para a igreja hoje?
O registro bíblico sobre esse grupo serve de advertência permanente contra a religiosidade apenas externa. Quando a fé se reduz a aparência, controle de rituais e comparação com o próximo, ela perde o sentido que a própria Escritura dá à vida diante de Deus. Jesus foi direto ao ensinar em Mt 23:25-28 que o interior precisa ser cuidado antes do exterior, porque a aparência cuidada em excesso pode esconder um coração vazio ou corrompido. A igreja atual encontra nesse ensino um chamado contínuo à sinceridade diante de Deus.
A outra lição está na forma como se lida com a Palavra. Os fariseus conheciam as Escrituras, liam, decoravam e discutiam, mas muitos deles não reconheceram a Cristo quando Ele esteve no meio deles, como aparece em Jo 5:39-40. Conhecimento bíblico é indispensável, porém precisa vir acompanhado de fé genuína, arrependimento e vida transformada pelo evangelho. Estudar a Bíblia sem se submeter a Cristo repete, em certa medida, o mesmo erro que Jesus apontou naqueles que dominavam o texto sagrado, mas resistiam ao seu autor.
Os Fariseus na Bíblia Revelam o Perigo da Religião Sem Cristo
O retrato bíblico desse grupo deixa claro que é possível conhecer muito sobre Deus e, ainda assim, viver distante Dele. Os fariseus tinham acesso privilegiado às Escrituras, cumpriam rituais, ensinavam nas sinagogas e ocupavam lugares de autoridade religiosa, mas perderam o essencial quando trocaram a obediência sincera pelo cuidado com a aparência. Jesus, em seu ministério, não rejeitou a Lei de Deus, e sim o acréscimo humano que havia substituído o centro da fé pelo cumprimento da tradição.
Esse relato permanece atual porque a tentação da religiosidade superficial não se limita a um grupo antigo. Sempre que a igreja corre o risco de confundir prática visível com entrega interior, o exemplo dos fariseus volta como alerta. Ler esses textos com atenção ajuda o cristão a manter o foco em Cristo, na Palavra e no arrependimento verdadeiro, sem se contentar com uma fé apenas exibida por fora.
PERGUNTAS FREQUENTES
Os fariseus acreditavam na ressurreição?
Sim. De acordo com At 23:8, os fariseus criam na ressurreição dos mortos, na existência de anjos e de espíritos, diferente dos saduceus, que negavam esses três pontos.
Qual era a diferença entre fariseus e saduceus?
Os fariseus valorizavam a Lei e a tradição dos anciãos, criam na ressurreição e atuavam fortemente junto ao povo nas sinagogas. Os saduceus estavam ligados à aristocracia sacerdotal do templo, rejeitavam a tradição oral e não criam na ressurreição nem em anjos.
Todo fariseu era inimigo de Jesus?
Não. A Bíblia registra figuras como Nicodemos, em Jo 3:1-2 e Jo 19:39, que se aproximou de Jesus e participou de seu sepultamento. Paulo, antes da conversão, também pertencia ao grupo, segundo Fp 3:5, e depois se tornou apóstolo.
Por que Jesus chamou os fariseus de hipócritas?
Porque, em muitos casos, a prática religiosa deles se concentrava na aparência externa, enquanto o coração permanecia distante da misericórdia, da justiça e da fé, conforme Mt 23:23-28.
O que significa o nome “fariseu”?
O termo carrega a ideia de “separado”, indicando a busca do grupo por manter-se afastado daquilo que consideravam impuro ou contrário à Lei de Deus.
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